{"id":85,"date":"2019-01-21T13:46:46","date_gmt":"2019-01-21T15:46:46","guid":{"rendered":"https:\/\/amoraovinho.com\/?p=85"},"modified":"2025-04-30T16:15:40","modified_gmt":"2025-04-30T19:15:40","slug":"encontro-confra-rio-zona-sul-16-08-2018-tema-pinot-noir-pelo-mundo-curadoria-jorge-silva-jr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/encontro-confra-rio-zona-sul-16-08-2018-tema-pinot-noir-pelo-mundo-curadoria-jorge-silva-jr\/","title":{"rendered":"Pinot Noir pelo mundo"},"content":{"rendered":"<p>Fui curador de um encontro da Confra-Rio Zona Sul e o tema que escolhi foi Pinot Noir pelo mundo. Selecionei r\u00f3tulos de famosas regi\u00f5es produtoras desta casta t\u00e3o dif\u00edcil de cultivar. O painel ficou bem representativo e aproveitei para fazer uma resenha sobre o tema. Confira tudo a seguir!<\/p>\n<h1>Origens<\/h1>\n<p>A Pinot existe h\u00e1 aproximadamente 2000 anos, embora nem sempre sob esse nome. Antigos monges j\u00e1 usaram os nomes Morillon, Noirien e Avernat para referenciar a cor da uva ou a sua \u00e1rea de cultivo. A sua origem ainda \u00e9 oficialmente indeterminada, apesar de haver alguns ind\u00edcios apontando para a regi\u00e3o de Jura, no centro-leste da Fran\u00e7a, que fica entre a Borgonha e a fronteira com a Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>Juntamente com a Savagnin e a Gouais Blanc, a Pinot forma um trio importante de uvas antigas. Esse trio comp\u00f5e as variedades mais cultivadas no nordeste da Fran\u00e7a e sudoeste da Alemanha durante a Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>Atualmente existem mais de 1000 varia\u00e7\u00f5es clonais da Pinot com pouca ou nenhuma varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Pinot Noir, Pinot Blanc e Pinot Gris tem o mesmo genoma, se diferenciando apenas por diferentes express\u00f5es dos seus genes. Por isso n\u00e3o se sabe qual Pinot no passado cruzou com a Gouais Blanc e originou as castas Aligot\u00e9, Auxerrois, Chardonnay, Gamay Blanc, Gamay Noir, Melon, Romorantin e Sacy. Foi tamb\u00e9m um cruzamento, da Pinot com a G\u00e4nsf\u00fcsser, que originou a casta C\u00e9sar. Pesquisas gen\u00e9ticas indicam algum parentesco da Pinot com a Savagnin Blanc.<\/p>\n<p>O seu nome Pinot derivou do latim \u201cpineau\u201d, que significa pinheiro. Porque o seu cacho \u00e9 apertado e compacto lembrando um pinheiro. E Noir obviamente significa preto em franc\u00eas. No Loire tamb\u00e9m \u00e9 chamada de Auvernat Noir, na It\u00e1lia Pinot Nero e na Alemanha Sp\u00e4tburgunder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Caracter\u00edsticas da uva<\/h1>\n<p>A Pinot Noir \u00e9 uma uva tinta de boa carga arom\u00e1tica, casca fina e pigmenta\u00e7\u00e3o leve, que amadurece com boa acidez e n\u00edveis de taninos moderados. Tem predom\u00ednio da cor vermelho claro. \u00c9 uma uva de brota\u00e7\u00e3o e amadurecimento precoces. Ela \u00e9 sens\u00edvel ao local de plantio e o seu cultivo \u00e9 desafiador. Prospera em climas frescos e prefere solos de calc\u00e1rio e marga, que s\u00e3o fatores que ajudam na manuten\u00e7\u00e3o de bons n\u00edveis de acidez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Influ\u00eancias clim\u00e1ticas e desafios ao cultivo<\/h1>\n<p>Devido \u00e0 sua brota\u00e7\u00e3o precoce est\u00e1 sujeita a ser atingida nas geadas de primavera. Climas frios e \u00famidos podem levar ao desavinho\/coulure, com perda parcial ou total das bagas do cacho ap\u00f3s o vingamento por dificuldades no est\u00e1gio de florada. Por tamb\u00e9m amadurecer precocemente consegue ser colhida antes das chuvas do outono. Sua casca fina tamb\u00e9m a deixa mais suscet\u00edvel \u00e0 podrid\u00e3o cinza, um problema que surge quando chove muito, especificamente nas semanas anteriores \u00e0 colheita.<\/p>\n<p>Em climas mais quentes muitos riscos relativos ao cultivo da Pinot Noir s\u00e3o eliminados, mas tamb\u00e9m leva ao desenvolvimento de aromas cozidos, compotados e \u00e0 perda da delicadeza das frutas frescas, eliminando o seu encanto. A Pinot Noir apesar da sua curta temporada de crescimento, precisa amadurecer sem pressa.<\/p>\n<p>Por outro lado em regi\u00f5es demasiado frescas, as uvas n\u00e3o amadurecer\u00e3o totalmente, dando origem a vinhos com excessivos sabores vegetais como couve e folhas molhadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Regi\u00f5es de cultivo<\/h1>\n<p><u>Regi\u00f5es prim\u00e1rias<\/u><\/p>\n<p><strong>Fran\u00e7a: Borgonha (~47\u00b0N) e Champanhe (~49\u00b0N)<\/strong><\/p>\n<p>A Borgonha \u00e9 a regi\u00e3o cl\u00e1ssica dos vinhos de Pinot Noir. L\u00e1 as exig\u00eancias para o bom desenvolvimento da casta s\u00e3o completamente atendidas. O Pinot Noir cl\u00e1ssico da Borgonha tem sabores de frutas vermelhas na juventude, que evoluem para sabores de terra, ca\u00e7a e cogumelo \u00e0 medida que o vinho amadurece. Costumam ter a acidez alta, n\u00edveis baixos \u00e0 m\u00e9dios de taninos, mas isto pode variar dependendo da vinha, do produtor e da safra.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 De um Borgonha AOC, para um village como Nuits-St-Georges e para um Premier Cru como um Les Vaucrains os n\u00edveis de intensidade, complexidade e persist\u00eancia v\u00e3o aumentando. At\u00e9 chegar ao maior n\u00edvel de classifica\u00e7\u00e3o, o Grand Cru. Como por exemplo um Richebourg, em que os vinhedos originam os vinhos de Pinot Noir mais poderosos, complexos e de maior longevidade do mundo.<\/p>\n<p>Em Champagne a Pinot Noir ocupa cerca de 38% das vinhas plantadas. O seu cultivo predomina nos distritos de Montagne de Reims e C\u00f4te des Bar. A casta aporta estrutura e algum car\u00e1ter de fruta vermelha ao vinho. Fornece a espinha dorsal da maioria dos cortes. Os Champagne com maior participa\u00e7\u00e3o da Pinot Noir costumam ter mais corpo.<\/p>\n<p><u>Regi\u00f5es secund\u00e1rias<\/u><\/p>\n<p><strong>Fran\u00e7a: Als\u00e1cia (~48\u00b0N) e Loire (~47\u00b0N)<\/strong><\/p>\n<p>A Pinot Noir \u00e9 a \u00fanica uva tinta permitida na Als\u00e1cia. Normalmente estes vinhos n\u00e3o t\u00eam nem o corpo nem a concentra\u00e7\u00e3o dos Pinot Noir da Borgonha. E geralmente os melhores exemplos s\u00e3o tintos frutados e ligeiros ou ent\u00e3o os vinhos ros\u00e9s. Alguns produtores fazem vinhos mais concentrados e com sabores de madeira nova.<\/p>\n<p>No Loire, uma pequena quantidade de Pinot Noir \u00e9 plantada no distrito Vinhedos Centrais. Como os melhores lugares est\u00e3o reservados para a Sauvignon Blanc, estes vinhos tintos tendem a ser um tanto raros e geralmente de estilo ligeiro. O ros\u00e9 de Sancerre deve ser elaborado a partir da Pinot Noir e geralmente tem cor bem p\u00e1lida, corpo ligeiro e \u00e9 seco com sabores de fruta delicada, podendo ser feito por prensagem direta ou por macera\u00e7\u00e3o curta com as cascas. Os ros\u00e9s geralmente s\u00e3o fermentados em recipientes inertes com temperatura controlada, a fim de reter os sabores da fruta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alemanha: Pfalz (~49\u00b0N) e Baden (~49\u00b0N)<\/strong><\/p>\n<p>A Pinot Noir \u00e9 a terceira casta mais plantada da Alemanha, onde s\u00e3o produzidos grandes volumes, principalmente nas regi\u00f5es meridionais (menos frias) do Pfalz (Palatinado) e Baden. Estas regi\u00f5es tem um clima fresco e o estilo t\u00edpico dos seus vinhos de Pinot Noir \u00e9 de corpo ligeiro, taninos ligeiros, com pronunciada e perfumada fruta de baga vermelha. Tamb\u00e9m se encontram estilos com mais corpo, envelhecidos em barril com aromas de madeira.<\/p>\n<p><strong>EUA: Calif\u00f3rnia (~38\u00b0N) e Oregon (~45\u00b0N)<\/strong><\/p>\n<p>Os vinhos nos EUA podem levar a denomina\u00e7\u00e3o da sua AVA (American Viticultural Area) e se n\u00e3o cumprirem os requisitos m\u00ednimos para isso levam a denomina\u00e7\u00e3o do estado ou condado de onde prov\u00e9m suas uvas.<\/p>\n<p>A maioria das regi\u00f5es do estado da Calif\u00f3rnia s\u00e3o demasiado quentes para se obter Pinot Noir de boa qualidade, mas podemos destacar 3 regi\u00f5es de clima moderado em que \u00e9 poss\u00edvel encontrar bons exemplares:<\/p>\n<ul>\n<li>Nos arredores do povoado de Carneros (abrangido pela Los Carneros AVA, que por sua vez vai de Napa County a Sonoma County) que abriga grandes produtores de espumantes e alguns bons produtores de vinho tranquilo.<\/li>\n<li>Nas partes mais frescas de Sonoma County (Russian River Valley AVA).<\/li>\n<li>Em Santa Barbara County (Santa Maria Valley AVA).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os estilos variam muito conforme a vinha de onde procedem, mas de um modo geral, os Pinot Noir da Calif\u00f3rnia tendem a ter muito corpo. A maioria s\u00e3o intensamente frutados, com sabores de fruta vermelha (cereja, morango) e notas de especiarias doces proveniente do est\u00e1gio em madeira. Mas uma minoria tem pouca cor e exibe pronunciadas caracter\u00edsticas animais e vegetais (couro, carne, folhas molhadas).<\/p>\n<p>Mais ao norte dos EUA, acima da Calif\u00f3rnia, na AVA de maior produ\u00e7\u00e3o do estado do Oregon, a Willamette Valley AVA, encontra-se um clima moderado e mar\u00edtimo mais apropriado ao cultivo da Pinot Noir. L\u00e1 se produz alguns Pinot Noir de qualidade muito alta. S\u00e3o vinhos com n\u00edveis altos de acidez, sabores de fruta vermelha madura e um toque de especiarias do tipo canela.<\/p>\n<p><strong>Nova Zel\u00e2ndia: Central Otago (~45\u00b0S), Marlborough (~43\u00b0S), Wairarapa (~42\u00b0S)<\/strong><\/p>\n<p>A Pinot Noir \u00e9 a segunda casta mais plantada da Nova Zel\u00e2ndia. \u00c9 amplamente cultivada na ilha sul e em alguns lugares espec\u00edficos da ilha norte. Os Pinot Noir da Nova Zel\u00e2ndia s\u00e3o geralmente mais encorpados, com n\u00edveis bastante altos de \u00e1lcool, taninos finos e maduros, textura suave, acidez mais baixa e fruta mais intensa que os vinhos da Borgonha. Frequentemente, os sabores de frutas vermelhas (cereja, morango) s\u00e3o acompanhados por notas especiadas.<\/p>\n<p>Central Otago, no sul e interior da Ilha Sul, produz os exemplares mais maduros e mais intensos da Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>A Pinot Noir tamb\u00e9m \u00e9 cultivada em Marlborough, no norte da Ilha Sul, o principal centro vit\u00edcola da Nova Zel\u00e2ndia, onde se faz um estilo mais ligeiro e onde grande parte da fruta \u00e9 utilizada para vinhos espumantes.<\/p>\n<p>Wairarapa \u00e9 composta por uma s\u00e9rie de pequenas \u00e1reas de vinha espalhadas por uma extensa \u00e1rea na ponta sul da Ilha Norte. A \u00e1rea mais importante \u00e9 Martinborough, que tem uma excelente reputa\u00e7\u00e3o mundial pelos seus Pinot Noir. As temperaturas de ver\u00e3o podem ser altas, mas uma grande amplitude t\u00e9rmica di\u00e1ria faz com que esta \u00e1rea seja adequada para a Pinot Noir. Os exemplares produzidos l\u00e1 s\u00e3o maduros e tem corpo m\u00e9dio a muito corpo, com notas de ameixa preta e especiarias.<\/p>\n<p><strong>Austr\u00e1lia: Yarra Valley (~38\u00b0S), Mornington Peninsula (~39\u00b0S) e Tasm\u00e2nia (~42\u00b0S)<\/strong><\/p>\n<p>A maioria das regi\u00f5es da Austr\u00e1lia s\u00e3o demasiado quentes para a casta Pinot Noir, apesar de se produzirem alguns vinhos de qualidade superior em alguns lugares que se beneficiam dos efeitos refrescantes das brisas oce\u00e2nicas ou da altitude, como \u00e9 o caso de Yarra Valley e de Mornington Peninsula, em Victoria. Nesse caso, o estilo de Pinot Noir pode ir de vinhos ligeiros e elegantes, com aromas perfumados, a vinhos com sabores mais ricos em fruta (morango, ameixa, cereja preta) e taninos mais estruturados e maduros.<\/p>\n<p>A Tasm\u00e2nia apesar de ter iniciado o seu percurso vitivin\u00edcola como uma excelente fornecedora de vinho base para os espumantes australianos, tem provado tamb\u00e9m fazer excelentes vinhos tranquilos.<\/p>\n<p><strong>\u00c1frica do Sul: Walker Bay (~34\u00b0S)<\/strong><\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul tamb\u00e9m produz alguns Pinot Noir de alta qualidade, em pequenas quantidades, nos lugares perto da costa, como \u00e9 o caso de Walker Bay, que goza de uma boa exposi\u00e7\u00e3o ao oceano.<\/p>\n<p><strong>Chile: Valle de Casablanca (~33\u00b0S) e Valle de San Antonio (~34\u00b0S)<\/strong><\/p>\n<p>Os vales de Casablanca e San Antonio na regi\u00e3o do Aconc\u00e1gua no Chile, est\u00e3o situados entre as montanhas da costa e o Pac\u00edfico. Os nevoeiros da manh\u00e3 e as brisas da tarde que sopram do oceano fornecem um clima mais fresco e muito bom para o cultivo de castas como a Pinot Noir. De l\u00e1 est\u00e3o surgindo Pinot Noir intensamente frutados, os quais frequentemente tem sabores a compota de morango e algumas notas de ervas.<\/p>\n<p><strong>Argentina: Patagonia (~39\u00b0S)<\/strong><\/p>\n<p>A Patagonia compreende as prov\u00edncias de R\u00edo Negro e Neuqu\u00e9n. Com vinhas situadas entre os 200 e 250 metros, a influ\u00eancia do arrefecimento aqui n\u00e3o \u00e9 criada pela altitude, mas sim pela latitude. Uma baixa precipita\u00e7\u00e3o e uma grande amplitude t\u00e9rmica di\u00e1ria fazem com que as videiras tenham uma baixa incid\u00eancia de doen\u00e7as. Os ventos fortes do deserto constituem um desafio para os produtores locais. Os dias longos com muitas horas de luz e as noites frescas, originam vinhos com sabores de fruta concentrada, mas fresca, e acidez de m\u00e9dia a alta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Brasil: Planalto Catarinense (~28\u00b0S) e Serra Ga\u00facha (~29\u00b0S)<\/strong><\/p>\n<p>Fora o cultivo para a produ\u00e7\u00e3o de espumantes, existe uma discreta vertente para a produ\u00e7\u00e3o de vinhos tranquilos. Do Planalto Catarinense, munic\u00edpio de S\u00e3o Joaquim, vem se destacando alguns exemplares como o Pinot Noir Suzin (Suzin), o Quinta da Neve (Quinta da Neve) e o Basaltino (Peric\u00f3). Na Serra Ga\u00facha, na regi\u00e3o dos Altos Montes, munic\u00edpio de Nova P\u00e1dua, o engenheiro agr\u00f4nomo Maur\u00edcio Ribeiro produz o Pinot Noir Serena e tamb\u00e9m fornece suas uvas para o amigo Marco Danielle do Atelier Tormentas produzir o Fvlvia Pinot Noir. Ambos com uma abordagem biodin\u00e2mica e n\u00e3o intervencionista na vinifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>T\u00e9cnicas de vinifica\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p>Normalmente os produtores de Pinot Noir evitam uma manipula\u00e7\u00e3o significativa do mosto e optam por uma postura de m\u00ednima interven\u00e7\u00e3o. Em climas mais frescos como na Borgonha \u00e9 comum a chaptaliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m se usa a fermenta\u00e7\u00e3o em tanque aberto, pigeages e o est\u00e1gio em barricas francesas.<\/p>\n<p>Tradicionalmente a matura\u00e7\u00e3o dos vinhos de grande qualidade era feita em barricas usadas. Porque as notas de tosta e baunilha conferidas pelas barricas novas poderiam facilmente se sobrepor aos sabores delicados da casta. Por\u00e9m a melhoria nas t\u00e9cnicas de viticultura, e consequente melhora na qualidade dos frutos, al\u00e9m do avan\u00e7o nas t\u00e9cnicas de vinifica\u00e7\u00e3o (por exemplo, os produtores est\u00e3o cada vez mais aumentando a propor\u00e7\u00e3o de cachos inteiros na vinifica\u00e7\u00e3o) est\u00e3o aportando aos vinhos mais exuber\u00e2ncia da fruta. Com isso, cada vez mais produtores optam por amadurecer parte do vinho em barricas novas.<\/p>\n<p>Embora os vinhos de Pinot Noir sejam mais conhecidos como tintos tranquilos monovarietais, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar outras formas de apresenta\u00e7\u00e3o, por exemplo, como em espumante sozinho ou cortado com Chardonnay e\/ou Pinot Meunier. Pode tamb\u00e9m ser encontrado como ros\u00e9 tranquilo em Sancerre e cortado com a Gamay na Borgonha em vinhos mais simples.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Caracter\u00edsticas dos vinhos<\/h1>\n<p>De um modo geral, s\u00e3o vinhos acess\u00edveis ao paladar e f\u00e1ceis de beber em todas as fases do seu desenvolvimento. Os exemplares econ\u00f4micos, simples e discretos devem ser bebidos jovens e frutados. Os melhores exemplares da Borgonha e de vinhedos de qualidade superior, tem grande complexidade e intensidade de aromas que se desenvolvem com a guarda.<\/p>\n<p>Tradicionalmente os vinhos feitos com a Pinot Noir quando jovens tem uma colora\u00e7\u00e3o rubi p\u00e1lido a m\u00e9dio. Por\u00e9m novos clones e novas t\u00e9cnicas para extra\u00e7\u00e3o de cor, tem levado ao escurecimento de muitos vinhos. Os modernos Pinot Noir, especialmente de alguns produtores do Novo Mundo, podem apresentar uma colora\u00e7\u00e3o rubi profunda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os seus aromas prim\u00e1rios tipicamente consistem em frutas vermelhas como cranberry (oxicoco), rom\u00e3, cereja vermelha, framboesa e morango. Podendo tamb\u00e9m aparecer algo floral de violeta. O est\u00e1gio em madeira n\u00e3o pode ser pronunciado, pois pode facilmente mascarar os aromas frutados. Os aromas secund\u00e1rios podem ser de cravo, canela, s\u00e2ndalo, defumado e torrefa\u00e7\u00e3o. O envelhecimento pode levar a aromas terci\u00e1rios de terra, barro, folha seca, tabaco, couro, defumado, ca\u00e7a, alho e trufa. A conhecida express\u00e3o estrebaria, \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o bem-educada para o que os franceses descrevem como merde de lapin e pode aparecer com maior ou menor intensidade em alguns exemplares. Em vinhos provenientes de climas mais frescos como na Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia e Oregon (EUA), predomina uma paleta arom\u00e1tica mais seca com aromas de cranberry, rom\u00e3, cereja vermelha e cogumelo. J\u00e1 em climas moderados como Calif\u00f3rnia (EUA), Nova Zel\u00e2ndia, Austr\u00e1lia, Chile e Argentina predomina uma paleta mais doce com aromas de framboesa, morango e cravo. Sendo que em safras moderadamente quentes aparecem aromas de frutas vermelhas compotadas e aromas de frutas pretas como ameixa preta.<\/p>\n<p>No paladar costumam ser moderadamente intensos, com taninos de leves \u00e0 moderados, acidez de m\u00e9dia \u00e0 alta e corpo m\u00e9dio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Harmoniza\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p>S\u00e3o vinhos vers\u00e1teis, com amplas possibilidades de harmoniza\u00e7\u00e3o como de peixes oleosos a carnes de peso m\u00e9dio como salm\u00e3o, magret de canard, carnes envelhecidas (dry aged), por exemplo, o T-bone envelhecido como Pata Negra. Pratos com o acompanhamento de molhos \u00e0 base de frutas vermelhas azedas como cereja, cranberry e rom\u00e3. Na culin\u00e1ria brasileira tamb\u00e9m vai muito bem com aves assadas acompanhadas de manga, com carne seca desfiada acompanhada de cebola em tiras e ab\u00f3bora cozida e tamb\u00e9m com peixes carnudos como o tambaqui e o tucunar\u00e9.<\/p>\n<h2>Bibliografia<\/h2>\n<p>&#8211; Apostilas WSET 2 e 3<\/p>\n<p>&#8211; Apostilas ISG 1 e 2<\/p>\n<p>&#8211; Apostila French Wine Scholar<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>Painel de vinhos<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tabela 1<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium mobile wp-image-112\" src=\"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2019\/01\/encontro-1-cell-300x127.jpg\" width=\"100%\" srcset=\"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2019\/01\/encontro-1-cell-300x127.jpg 300w, https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2019\/01\/encontro-1-cell.jpg 716w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<table class=\"desktop\" width=\"715\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"35\">N\u00ba<\/td>\n<td width=\"154\">Nome<\/td>\n<td width=\"47\">Safra<\/td>\n<td width=\"47\">TA %<\/td>\n<td width=\"94\">Pa\u00eds<\/td>\n<td width=\"95\">Regi\u00e3o<\/td>\n<td width=\"129\">Sub-regi\u00e3o \/ Denomina\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td width=\"113\">Produtor<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"35\">01<\/td>\n<td width=\"154\">Chacra Treinta Y Dos (32)<\/td>\n<td width=\"47\">2014<\/td>\n<td width=\"47\">13,0<\/td>\n<td width=\"94\">Argentina<\/td>\n<td width=\"95\">Patagonia<\/td>\n<td width=\"129\">R\u00edo Negro<\/td>\n<td width=\"113\">Bodega Chacra (Piero Incisa\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 della Rocchetta)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"35\">02<\/td>\n<td width=\"154\">Ocio<\/td>\n<td width=\"47\">2013<\/td>\n<td width=\"47\">14,0<\/td>\n<td width=\"94\">Chile<\/td>\n<td width=\"95\">Aconcagua<\/td>\n<td width=\"129\">Valle de Casablanca<\/td>\n<td width=\"113\">Vi\u00f1a Cono Sur<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"35\">03<\/td>\n<td width=\"154\">Serena<\/td>\n<td width=\"47\">2012<\/td>\n<td width=\"47\">12,5<\/td>\n<td width=\"94\">Brasil<\/td>\n<td width=\"95\">Serra Ga\u00facha<\/td>\n<td width=\"129\">Altos Montes<\/td>\n<td width=\"113\">Vinhedo Serena<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"35\">04<\/td>\n<td width=\"154\">Erath Leland<\/td>\n<td width=\"47\">2011<\/td>\n<td width=\"47\">12,5<\/td>\n<td width=\"94\">EUA<\/td>\n<td width=\"95\">Oregon<\/td>\n<td width=\"129\">Willamette Valley<\/td>\n<td width=\"113\">Erath Winery\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (Ste Michelle\u00a0\u00a0 Wine Estates)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"35\">05<\/td>\n<td width=\"154\">Etude Pinot Noir<\/td>\n<td width=\"47\">2010<\/td>\n<td width=\"47\">14,5<\/td>\n<td width=\"94\">EUA<\/td>\n<td width=\"95\">California<\/td>\n<td width=\"129\">Los Carneros<\/td>\n<td width=\"113\">Etude Wines (Treasury Wine States)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"35\">06<\/td>\n<td width=\"154\">Schubert Marion\u2019s Vineyard<\/td>\n<td width=\"47\">2009<\/td>\n<td width=\"47\">15,0<\/td>\n<td width=\"94\">Nova Zel\u00e2ndia<\/td>\n<td width=\"95\">Wairarapa<\/td>\n<td width=\"129\">Martinborough<\/td>\n<td width=\"113\">Schubert Winery<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"35\">07<\/td>\n<td width=\"154\">Nuits-St-Georges Num\u00e9ro 1 Vieilles Vignes<\/td>\n<td width=\"47\">2007<\/td>\n<td width=\"47\">13,0<\/td>\n<td width=\"94\">Fran\u00e7a<\/td>\n<td width=\"95\">Borgonha<\/td>\n<td width=\"129\">Nuits-St-Georges<\/td>\n<td width=\"113\">N\u00e9gociant Dominique Laurent<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tabela 2<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium mobile wp-image-114\" src=\"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2019\/01\/encontro-2-cell-300x105.jpg\" width=\"100%\" srcset=\"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2019\/01\/encontro-2-cell-300x105.jpg 300w, https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-content\/uploads\/sites\/128\/2019\/01\/encontro-2-cell.jpg 716w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<table class=\"desktop\" width=\"715\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"38\">N\u00ba<\/td>\n<td width=\"132\">Nome<\/td>\n<td width=\"47\">Safra<\/td>\n<td width=\"47\">TA %<\/td>\n<td width=\"246\">Detalhes<\/td>\n<td width=\"113\">Fornecedor<\/td>\n<td width=\"91\">Pre\u00e7o em R$<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"38\">01<\/td>\n<td width=\"132\">Chacra Treinta Y Dos (32)<\/td>\n<td width=\"47\">2014<\/td>\n<td width=\"47\">13,0<\/td>\n<td width=\"246\">18 meses em barricas de carvalho franc\u00eas 50% novas e 50% de segundo uso.<\/td>\n<td width=\"113\">Megavinhos<\/td>\n<td width=\"91\">291<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"38\">02<\/td>\n<td width=\"132\">Ocio<\/td>\n<td width=\"47\">2013<\/td>\n<td width=\"47\">14,0<\/td>\n<td width=\"246\">14 meses em barricas de carvalho franc\u00eas e 1 m\u00eas em inox.<\/td>\n<td width=\"113\">World Wine<\/td>\n<td width=\"91\">277<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"38\">03<\/td>\n<td width=\"132\">Serena<\/td>\n<td width=\"47\">2012<\/td>\n<td width=\"47\">12,5<\/td>\n<td width=\"246\">8-18 meses em barricas de carvalho franc\u00eas 20% novas.<\/td>\n<td width=\"113\">Vinhedo Serena<\/td>\n<td width=\"91\">250<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"38\">04<\/td>\n<td width=\"132\">Erath Leland<\/td>\n<td width=\"47\">2011<\/td>\n<td width=\"47\">12,5<\/td>\n<td width=\"246\">14 meses em barricas de carvalho franc\u00eas 40% novas.<\/td>\n<td width=\"113\">Adega Hara<\/td>\n<td width=\"91\">280<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"38\">05<\/td>\n<td width=\"132\">Etude Pinot Noir<\/td>\n<td width=\"47\">2010<\/td>\n<td width=\"47\">14,5<\/td>\n<td width=\"246\">12-14 meses em barricas de carvalho franc\u00eas<\/td>\n<td width=\"113\">World Wine<\/td>\n<td width=\"91\">399<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"38\">06<\/td>\n<td width=\"132\">Schubert Marion\u2019s Vineyard<\/td>\n<td width=\"47\">2009<\/td>\n<td width=\"47\">15,0<\/td>\n<td width=\"246\">18 meses em barricas de carvalho franc\u00eas 40% novas e 60% de segundo uso.<\/td>\n<td width=\"113\">World Wine<\/td>\n<td width=\"91\">280<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"38\">07<\/td>\n<td width=\"132\">Nuits-St-Georges Num\u00e9ro 1 Vieilles Vignes<\/td>\n<td width=\"47\">2007<\/td>\n<td width=\"47\">13,0<\/td>\n<td width=\"246\"><\/td>\n<td width=\"113\">World Wine<\/td>\n<td width=\"91\">347<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fui curador de um encontro da Confra-Rio Zona Sul e o tema que escolhi foi Pinot Noir pelo mundo. Selecionei r\u00f3tulos de famosas regi\u00f5es produtoras desta casta t\u00e3o dif\u00edcil de cultivar. O painel ficou bem representativo e aproveitei para fazer uma resenha sobre o tema. Confira tudo a seguir! Origens A Pinot existe h\u00e1 aproximadamente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":184,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,5],"tags":[],"class_list":["post-85","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-aprenda-sobre-vinhos","category-blog"],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":185,"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85\/revisions\/185"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/media\/184"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gtechvirtual.com\/preview\/amor-ao-vinho\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}